Investigação: fóruns falsos com cinco estrelas que só falam do menu

Atualizado a 7 de novembro de 2026 · 4 min de leitura

Neste artigo
  1. Como é um falso fórum
  2. Uma opinião que não diz nada
  3. A mesma técnica noutros serviços
  4. Porque o fazem
  5. Como os reconhecer
  6. Limites desta investigação

Em resumo: ao pesquisar plataformas recentes encontrámos uma tática nova. São falsos fóruns em blogues gratuitos, com o nome da plataforma no endereço, uma nota de 5 em 5 e notícias reais de grandes meios à volta. O que salta à vista é o que diz a opinião: elogia o menu e a velocidade de carregamento, e não fala de dinheiro. Encontrámos cinco, e também dezenas de páginas noutros serviços gratuitos. Tudo serve o mesmo fim: que, ao pesquisar o nome, apareçam resultados que parecem normais.

Como é um falso fórum

Vimos este formato em cinco blogues do WordPress.com, criados entre 22 de outubro e 2 de novembro de 2026, para Patrivelle, Ducatella, Fonds Thesorelle, Fondo Oraventa e Rentaurel. Os cinco seguem o mesmo modelo, na língua do país:

  • Chama-se «Fórum de [plataforma]» e diz ser um fórum de opiniões, embora só tenha um texto.
  • Põe por baixo do título os nomes de grandes meios. Em França, Le Monde, Le Figaro e franceinfo. Em Itália, Corriere della Sera, ANSA e Il Sole 24 Ore. Esses meios não têm nada a ver com isto.
  • Dá 5 estrelas em 5.
  • Inclui notícias reais do dia, com o nome do jornal e a data. Não falam da plataforma: servem de cenário.
  • Nos que conseguimos abrir, traz um comentário escrito pela mesma conta, para parecer que há conversa.

Uma opinião que não diz nada

Este é o texto da opinião francesa, resumido: o menu é simples e está bem organizado, as páginas carregam depressa no computador e no telemóvel, e usar o site é um prazer. A italiana diz o mesmo, quase palavra por palavra.

Não há uma única linha sobre rendimentos, regulação, levantamentos nem sobre quem está por trás. É lógico: quem o escreveu não quer fazer uma afirmação que possa ser verificada. Só precisa que a frase «5/5» e o nome da plataforma apareçam juntos.

Se ler uma opinião sobre uma plataforma de investimento e ela só falar do design, não é uma opinião sobre um investimento.

A mesma técnica noutros serviços

Encontrámos também outros formatos:

  • Coleções digitais. 15 páginas num serviço gratuito pensado para museus e bibliotecas, com o nome da plataforma no endereço e um texto promocional. Várias têm ligações para domínios de redirecionamento como portafex[.]com, invexios[.]com e capitalorya[.]com, e para um autor de um dos sites de opiniões em série. Isso une esta rede à que já conhecíamos.
  • Blogues com títulos de modelo. Títulos como «[Plataforma] Avis Forum-{RETOURS DE PROFIT À 100 %}-Fonctionnalités», com umas chavetas que denunciam um texto gerado em série. Misturam sem qualquer pudor «100% de lucros» e «cuidado com a fraude», porque o objetivo é captar as duas pesquisas. Vimo-lo em plataformas de vários países, e o mesmo texto repete-se noutros serviços gratuitos de notas e de criação de sites.
  • Páginas gratuitas que levam a um blogue. No caso de Valoirine, três sites gratuitos têm ligações para uma mesma «opinião» externa.

Os donos destes serviços não têm culpa: qualquer pessoa pode abrir uma conta em minutos. Por isso, um endereço com um nome conhecido no fim não diz nada sobre quem publicou o conteúdo.

Porque o fazem

Quando alguém vê um anúncio e pesquisa o nome, uma plataforma acabada de inventar não teria resultados. Isso seria suspeito. Com estas páginas, a pesquisa devolve uma lista que parece normal: um fórum, umas opiniões, um artigo. Quase ninguém as abre todas: basta o relance.

Como os reconhecer

  1. O endereço termina num serviço gratuito e começa pelo nome da plataforma.
  2. Um fórum sem conversa. Um fórum real tem vários utilizadores, datas diferentes e queixas.
  3. Logótipos ou nomes de meios sem relação com o conteúdo.
  4. Texto genérico: a opinião podia servir para qualquer site.
  5. Tudo foi publicado no mesmo dia.
  6. Nada sobre o importante: quem é a empresa, que licença tem e se alguém conseguiu levantar dinheiro.

Não importa o bom aspeto: o que conta é se a empresa está autorizada. Tem mais sinais em como reconhecer opiniões falsas.

Limites desta investigação

  • Só lemos estas páginas como texto, sem preencher nada.
  • Revimos uma parte das plataformas mais recentes. Há certamente mais páginas assim.
  • Não sabemos quem as publica. Três dos cinco fóruns saem da mesma conta, e os outros dois usam o mesmo modelo.
  • Alguns serviços bloquearam-nos e outros não aparecem bem nos motores de pesquisa, por isso não os podemos excluir.
Resumo semanal das plataformas de investimento fraudulentas que detetamos em anúncios nas redes sociais.Ler o relatório desta semana →

Já se registou ou já pagou?

  1. Não pague mais nada, mesmo que peçam «impostos» ou «comissões» para libertar o dinheiro.
  2. Ligue hoje mesmo para o seu banco: bloqueie o cartão e peça o estorno (chargeback) ou a devolução da transferência. Quanto mais cedo, mais hipóteses.
  3. Não instale nada do que lhe pedirem (AnyDesk, TeamViewer…). Se já o fez, desinstale-o e mude as suas palavras-passe.
  4. Apresente queixa à polícia e ao regulador do seu país. Guarde capturas de ecrã, e-mails e números de telefone.
  5. Cuidado com as empresas de «recuperação de fundos» que o vão contactar a prometer recuperar o dinheiro em troca de um pagamento: quase sempre são uma segunda burla.

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