Como detetar um deepfake num anúncio de investimento

Atualizado a 30 de outubro de 2026

Cada vez mais anúncios de burlas de investimento usam deepfakes: vídeos em que uma figura conhecida parece falar, mas cujo rosto ou voz foram gerados ou manipulados com inteligência artificial. Em Portugal vimos casos com Cristiano Ronaldo e o primeiro-ministro Luís Montenegro, entre outros. A boa notícia: não precisa de ser especialista para os evitar, o contexto denuncia quase todos.

O mais importante: o contexto

Antes dos detalhes técnicos, faça estas perguntas. Se a resposta a alguma for «sim», não importa quão real parece o vídeo:

  • Uma figura conhecida recomenda uma plataforma para ganhar dinheiro num anúncio?
  • Promete lucros rápidos, garantidos ou «automáticos»?
  • O anúncio leva a uma «notícia» com um formulário de registo?
  • Pedem-lhe um depósito para começar?

As figuras conhecidas não promovem plataformas de investimento desta forma. Muitas denunciaram publicamente estes vídeos. Veja quem é usado na nossa lista de famosos.

Pistas visuais

  • A boca não acompanha as palavras: lábios que se mexem de forma estranha, dentes desfocados ou que mudam de forma.
  • Pestanejar estranho: pouco, demasiado regular, ou olhar que não foca nada.
  • Contornos do rosto desfocados ou «a tremer» no queixo, cabelo ou orelhas.
  • Pele demasiado lisa ou luz que não condiz com o fundo.
  • Cortes e zooms constantes, para esconder falhas.
  • Óculos, joias ou mãos que se deformam.

Pistas de áudio

  • Voz monótona ou robótica, sem respirações nem pausas naturais.
  • Entoação estranha ou um sotaque que não é o da pessoa.
  • Som demasiado limpo para a cena.
  • Frases genéricas que essa pessoa nunca diria.

Confirme a fonte

  • Procure a entrevista original no site oficial do programa ou jornal citado. Não vai existir.
  • Veja quem paga o anúncio: normalmente páginas recém-criadas com nomes sem sentido ou contas pirateadas.
  • Pesquise o nome da plataforma no InvestRedFlags e nos alertas da CMVM.

O que fazer se vir um

  1. Não clique nem deixe os seus dados.
  2. Denuncie o anúncio na rede social (menu dos três pontos → denunciar → burla).
  3. Se já se registou ou pagou, siga o guia para vítimas.

Para perceber todo o percurso da burla, leia como funcionam as burlas com famosos.

Resumo semanal das plataformas de investimento fraudulentas que detetamos em anúncios nas redes sociais. Ler o relatório desta semana →

Já se registou ou já pagou?

  1. Não pague mais nada, mesmo que peçam «impostos» ou «comissões» para libertar o dinheiro.
  2. Ligue hoje mesmo para o seu banco: bloqueie o cartão e peça o estorno (chargeback) ou a devolução da transferência. Quanto mais cedo, mais hipóteses.
  3. Não instale nada do que lhe pedirem (AnyDesk, TeamViewer…). Se já o fez, desinstale e mude as suas palavras-passe.
  4. Apresente queixa à polícia e ao regulador do seu país. Guarde capturas de ecrã, emails e números de telefone.
  5. Cuidado com as empresas de «recuperação de fundos» que o vão contactar a prometer recuperar o dinheiro em troca de um pagamento: quase sempre são uma segunda burla.

Guias sobre burlas de investimento