Como ajudar um familiar que está a cair numa burla de investimento

Atualizado a 30 de outubro de 2026

Muitas burlas são descobertas porque um familiar repara antes da vítima: uma mãe que fala do seu «consultor», um pai que pediu um crédito para «uma oportunidade», um amigo que mostra no telemóvel quanto está a ganhar. Se está nesta situação, a forma como fala pode fazer toda a diferença.

Sinais de que alguém está numa burla

  • Fala de uma plataforma ou aplicação que «rende imenso» e de um «consultor» ou «gestor de conta» que lhe telefona.
  • Instalou programas como o AnyDesk, ou alguém o «ajuda» a investir a partir de outro computador.
  • Pediu créditos, vendeu alguma coisa ou está a usar poupanças para «investir mais».
  • Pedem-lhe que pague impostos ou comissões antes de poder levantar.
  • Ficou reservado sobre o assunto, ou diz «tu não percebes».
  • Tem uma relação online com alguém que lhe ensina a investir (uma burla romântica).

Como falar com ele

  • Não o culpe nem goze. A vergonha faz as pessoas fecharem-se e continuarem a pagar às escondidas. Estas burlas são montadas por profissionais e caem nelas pessoas de todas as idades e formações.
  • Pergunte em vez de afirmar. «Como se chama a plataforma? Mostras-me?» funciona melhor do que «isso é uma burla».
  • Verifiquem juntos. Pesquisem o nome no InvestRedFlags e nos alertas da CMVM: como verificar se uma corretora está autorizada. Ver com os próprios olhos convence mais do que qualquer argumento.
  • Proponha um teste simples: pedir o levantamento de uma quantia importante. Se lhe disserem que primeiro tem de pagar, é a prova definitiva.
  • Explique o mecanismo, não só a conclusão: o saldo no ecrã não é dinheiro real. Lerem juntos que rendimentos são realistas pode ajudar.
  • Tenha paciência. Os burlões terão preparado a vítima para desconfiar da família («vão dizer-te que é uma burla, mas não percebem»).

O que fazer quando ele aceita

  1. Parar de pagar de imediato, diga o que disser o «consultor».
  2. Ligar ao banco juntos para cancelar os cartões e pedir a devolução dos pagamentos.
  3. Desinstalar os programas de acesso remoto e mudar as palavras-passe a partir de outro dispositivo: o que fazer se instalou o AnyDesk.
  4. Apresentar queixa com todas as provas: como denunciar.
  5. Avisá-lo da segunda burla: vai receber chamadas a oferecer a recuperação do dinheiro ou a fingir ser a polícia ou a CMVM. Veja como funciona.

Cuide também da parte emocional

Perder dinheiro numa burla traz vergonha, culpa e por vezes isolamento. Fique ao seu lado, lembre-lhe que é vítima de um crime e, se precisar, incentive-o a falar com um profissional. O dinheiro importa, mas importa mais que não fique sozinho com isto.

Resumo semanal das plataformas de investimento fraudulentas que detetamos em anúncios nas redes sociais. Ler o relatório desta semana →

Já se registou ou já pagou?

  1. Não pague mais nada, mesmo que peçam «impostos» ou «comissões» para libertar o dinheiro.
  2. Ligue hoje mesmo para o seu banco: bloqueie o cartão e peça o estorno (chargeback) ou a devolução da transferência. Quanto mais cedo, mais hipóteses.
  3. Não instale nada do que lhe pedirem (AnyDesk, TeamViewer…). Se já o fez, desinstale e mude as suas palavras-passe.
  4. Apresente queixa à polícia e ao regulador do seu país. Guarde capturas de ecrã, emails e números de telefone.
  5. Cuidado com as empresas de «recuperação de fundos» que o vão contactar a prometer recuperar o dinheiro em troca de um pagamento: quase sempre são uma segunda burla.

Guias sobre burlas de investimento