Burla de investimento: como apresentar queixa e tentar recuperar o dinheiro
Apresentar queixa é essencial mesmo que pense que não vai servir de nada: o banco pede-a muitas vezes para tratar uma reclamação, ajuda as autoridades a ligar casos e permite aos reguladores publicar alertas que protegem outras pessoas.
O que preparar
- Capturas de ecrã do anúncio, do site ou da app da plataforma e do seu “saldo”.
- Conversas de WhatsApp, Telegram, emails e SMS. Não as apague.
- Números de telefone de onde lhe ligaram e nomes usados.
- Comprovativos de pagamento: extratos, recibos do cartão, endereços de carteiras e identificadores de transações se pagou em cripto.
- Cronologia dos contactos, depósitos e tentativas de levantamento.
Primeiro: ligue para o seu banco
- Cartão: peça o estorno (chargeback) de cada pagamento, explicando que o serviço era fraudulento e não foi prestado. As redes de cartões têm prazos limitados, muitas vezes de cerca de 120 dias: não espere.
- Transferência: peça de imediato a devolução da transferência por fraude. Funciona melhor no próprio dia.
- Pix (Brasil): peça ao banco que acione o MED (Mecanismo Especial de Devolução) o mais depressa possível.
- Criptomoedas: não são reversíveis, mas avise a plataforma de onde enviou os fundos.
Portugal
- Queixa na PSP, GNR ou Polícia Judiciária, ou junto do Ministério Público (também por via eletrónica), com todas as provas.
- CMVM: denuncie a plataforma através de cmvm.pt.
- Se o banco recusar, pode reclamar junto do Banco de Portugal (Portal do Cliente Bancário ou Livro de Reclamações).
Brasil
- Boletim de ocorrência na delegacia (muitos estados permitem fazê-lo online).
- CVM: denúncias sobre ofertas irregulares através de gov.br/cvm.
Cuidado com a segunda burla
Depois da queixa poderá receber chamadas de falsos advogados, “recuperadores” ou até falsos polícias que prometem devolver o dinheiro em troca de um pagamento antecipado. É outra burla. As autoridades nunca pedem dinheiro para devolver o que lhe roubaram.
Tem todos os passos no guia para vítimas. Antes de voltar a investir, saiba como verificar se uma corretora está autorizada.
Este guia é informativo e não substitui o aconselhamento do seu banco ou de um advogado.