Burla de investimento: como apresentar queixa e tentar recuperar o dinheiro

Atualizado a 29 de outubro de 2026

Apresentar queixa é essencial mesmo que pense que não vai servir de nada: o banco pede-a muitas vezes para tratar uma reclamação, ajuda as autoridades a ligar casos e permite aos reguladores publicar alertas que protegem outras pessoas.

O que preparar

  • Capturas de ecrã do anúncio, do site ou da app da plataforma e do seu “saldo”.
  • Conversas de WhatsApp, Telegram, emails e SMS. Não as apague.
  • Números de telefone de onde lhe ligaram e nomes usados.
  • Comprovativos de pagamento: extratos, recibos do cartão, endereços de carteiras e identificadores de transações se pagou em cripto.
  • Cronologia dos contactos, depósitos e tentativas de levantamento.

Primeiro: ligue para o seu banco

  • Cartão: peça o estorno (chargeback) de cada pagamento, explicando que o serviço era fraudulento e não foi prestado. As redes de cartões têm prazos limitados, muitas vezes de cerca de 120 dias: não espere.
  • Transferência: peça de imediato a devolução da transferência por fraude. Funciona melhor no próprio dia.
  • Pix (Brasil): peça ao banco que acione o MED (Mecanismo Especial de Devolução) o mais depressa possível.
  • Criptomoedas: não são reversíveis, mas avise a plataforma de onde enviou os fundos.

Portugal

  • Queixa na PSP, GNR ou Polícia Judiciária, ou junto do Ministério Público (também por via eletrónica), com todas as provas.
  • CMVM: denuncie a plataforma através de cmvm.pt.
  • Se o banco recusar, pode reclamar junto do Banco de Portugal (Portal do Cliente Bancário ou Livro de Reclamações).

Brasil

  • Boletim de ocorrência na delegacia (muitos estados permitem fazê-lo online).
  • CVM: denúncias sobre ofertas irregulares através de gov.br/cvm.

Cuidado com a segunda burla

Depois da queixa poderá receber chamadas de falsos advogados, “recuperadores” ou até falsos polícias que prometem devolver o dinheiro em troca de um pagamento antecipado. É outra burla. As autoridades nunca pedem dinheiro para devolver o que lhe roubaram.

Tem todos os passos no guia para vítimas. Antes de voltar a investir, saiba como verificar se uma corretora está autorizada.

Este guia é informativo e não substitui o aconselhamento do seu banco ou de um advogado.

Resumo semanal das plataformas de investimento fraudulentas que detetamos em anúncios nas redes sociais. Ler o relatório desta semana →

Já se registou ou já pagou?

  1. Não pague mais nada, mesmo que peçam «impostos» ou «comissões» para libertar o dinheiro.
  2. Ligue hoje mesmo para o seu banco: bloqueie o cartão e peça o estorno (chargeback) ou a devolução da transferência. Quanto mais cedo, mais hipóteses.
  3. Não instale nada do que lhe pedirem (AnyDesk, TeamViewer…). Se já o fez, desinstale e mude as suas palavras-passe.
  4. Apresente queixa à polícia e ao regulador do seu país. Guarde capturas de ecrã, emails e números de telefone.
  5. Cuidado com as empresas de «recuperação de fundos» que o vão contactar a prometer recuperar o dinheiro em troca de um pagamento: quase sempre são uma segunda burla.
Guia completo para vítimas →

Guias sobre burlas de investimento